← ← ← 04/05/2026, 08:17:43 | Postado por: Danilo Maia Florenzano
A IA escreve o código da empresa, mas não escreve o meu código.
Isso não é totalmente verdade, afinal não sou nenhum purista ou saudosista dos tempos em que cada caractere precisava ser manualmente digitado (até porque nem tenho tempo de carreira para isso). Mas para mim, que tenho prazer em escrever código, essa nova maneira de programar mandando prompts para a IA me tirou algumas diversões que eu costumava ter no dia a dia.
Momentos "Eureka!" se tornaram mais raros.
O movimento que tenho feito em busca de manter a programação como algo divertido na minha rotina foi aceitar que o código que escrevo para a empresa pode e deve ser feito com IA. Afinal, ela conclui, com resultados satisfatórios o suficiente, tarefas de maneira muito mais rápida do que se eu as fizesse manualmente, e isso, para a empresa, tem muito valor. Mas, por outro lado, no meu tempo livre eu tenho os meus projetos. E meus projetos não requerem pressa, não precisam agradar acionistas e muito menos têm a pretensão de serem produtos comerciais. E, portanto, eu os faço no meu tempo, e com o meu código.
Delego, ainda, à IA as partes que não me divertem. Porque, historicamente, tenho o péssimo hábito de abandonar os meus projetos quando chega a hora de escrever código que não me traz nenhuma satisfação. Então não posso dizer que a IA não escreve nada nos meus projetos pessoais, mas trabalhar dessa forma me traz o melhor cenário em que já estive: codifico na mão o que quero, consulto a IA para dúvidas de sintaxe em caso de ser uma linguagem nova, e delego a um agente o que considero chato, ex: desenvolver uma tela com qualquer framework JS.
Resta-me a parte legal: explorar desenvolvimento embarcado, aprender linguagens novas, recriar sistemas já existentes apenas para entender a fundo o funcionamento, etc. E, ao fim do dia, está recuperada a satisfação de ter de fato pensado e criado software.
